Jornal Record 4 junho 2026
Intuição que a tecnologia não substitui
Também o futebol acompanha a vertiginosa mudança dos tempos. Hoje fala-se de inteligência artificial, análise de dados, métricas de todo o tipo e informação detalhada ao segundo. No entanto, no futebol de seleções continua a existir um desafio que nenhuma tecnologia consegue resolver: criar identidade em pouco tempo.
Ao contrário dos treinadores de clubes, os selecionadores têm poucos dias para trabalhar com os jogadores. Não existe tempo para repetir processos diariamente ou construir rotinas longas de treino. Em pouco tempo, precisam de criar organização, espírito coletivo e competitividade.
É precisamente aí que o treinador ganha importância. Mais do que a componente tática, o futebol de seleções vive muito da liderança. O selecionador precisa de transmitir confiança rapidamente, simplificar ideias e unir jogadores que chegam de contextos diferentes.
Num futebol cada vez mais tecnológico, existe também algo que continua profundamente humano: a intuição. A capacidade de perceber o momento do jogo, sentir emocionalmente a equipa ou tomar uma decisão inesperada em segundos continua dependente da experiência e sensibilidade do treinador. Nenhum dado consegue substituir totalmente essa leitura.
Uma palavra final para o Prof. Carlos Queiroz, o único treinador português presente no Mundial. Força Portugal.
Tarantini
Vice-Presidente da ANTF

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