37 Anos sem o Mestre José Maria Pedroto

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37 Anos sem o Mestre José Maria Pedroto

José Maria Pedroto é reconhecidamente um dos maiores vultos do futebol português, quer pela excelente carreira que protagonizou como futebolista na década de 50 do século passado, quer, em especial, pela carreira que realizou como treinador, sendo que é para muitos considerado, ainda hoje, como dos melhores treinadores de sempre do futebol português.


Foi protagonista em vários clubes nacionais, especialmente nortenhos, assumindo um relevante papel na afirmação nacional de equipas como o Varzim SC, o Boavista FC, o Vitoria de Setúbal, ou o Vitoria de Guimarães. Mas seria no FC Porto, que José Maria Pedroto empreenderia a maior transformação, levando a principal formação da cidade invicta a conquistar os títulos nacionais que sucessivamente teimavam em fugir para os clubes da capital, ou projectando e implantando a organização interna que ainda hoje prevalece no FC Porto.


José Maria Carvalho Pedroto, nasceu no dia 21 de Outubro de 1928 na freguesia de Almacave, no concelho de Lamego.


Filho de um militar, Capitão do Exercito português, Pedroto deixou aos 7 anos de idade o interior de Portugal e rumou ao Porto, para onde seu pai foi colocado para prestar serviço num quartel desta cidade. Após o falecimento do progenitor o jovem José Maria foi internado no Colégio Araújo Lima, ali bem próximo do Campo da Constituição na cidade invicta, onde começou a nascer o sonho de se tornar jogador de futebol.


Começou a dar os primeiros pontapés na bola naquele mítico recinto portista, pela mão do austríaco Gutkas, o responsável das camadas jovens do FC Porto. Pedroto tinha como ídolo de infância o futebolista Pinga da equipa principal do FC Porto.


Seria no Leixões SC, a partir de 1946, que começaria a praticar futebol, digamos que mais a sério, na equipa de juniores leixonense, já com 18 anos de idade bem vividos. Aí começou a deslumbrar com o seu potencial futebolístico todos aqueles que assistiam as partidas da jovem equipa da cidade de Matosinhos. Actuava preferencialmente a meio campo, numa posição que naquela época se apelidava de interior, tendo posteriormente jogado no CF Beleneneses. 

 

No Campo das Salésias, casa do CF Belenenses, Pedroto deu verdadeiros recitais de bem jogar futebol. A mestria do seu futebol geométrico que parecia balizado a régua e esquadro eram apreciados e causavam espanto a todos os admiradores da modalidade. Fernando Vaz, treinador do CF Belenenses, colocou-o a jogar médio centro pela primeira vez e nessa posição se tornou notável.


Como jogador era bastante rápido e simples na execução. No passe e na desmarcação dos companheiros de equipa era um verdadeiro mestre. De compleição física franzina era todavia dotado de um enorme talento e técnica acima da média. Mas a predominância do seu futebol, aquilo que o distinguia dos demais, advinha sobretudo da sua inteligência e na forma invulgar como lia o jogo, características que mais tarde o fariam único como treinador.

Em 1952/53, Pedroto transferiu-se finalmente para o FC Porto depois de muita insistência dos responsáveis azuis e brancos. O FC Porto concretizou  assim a transferência mais cara do futebol português até então.

Pedroto colocou um ponto final na carreira de futebolista no final da época de 1959/60 abraçando imediatamente a função de treinador. Tendo frequentado um curso de treinador ministrado pela afamada Federação Francesa de Futebol, com apenas 31 anos de idade, apresentando uma tese final com aquilo que considerava ser os 17 princípios de jogo, obtendo na altura uma brilhante classificação. Entre 87 inscritos, apenas 5 foram aprovados, sendo José Maria Pedroto o único estrangeiro a obter o diploma.

Assumiu prontamente o cargo de treinador nas camadas jovens do FC Porto e também na Selecção Nacional da categoria de juniores, juntamente com David Sequerra, onde conquistaria o Torneio Internacional da Uefa naquela categoria, numa prova disputada pelas 13 melhores selecções do velho continente. Conquistou assim com a equipa de Portugal, o primeiro título europeu nas camadas jovens.

A qualidade do trabalho que realizava e a bagagem de experiência que acumulou abriu-lhe as portas do regresso ao FC Porto em 1966, concretizando assim o seu sonho de tornar-se treinador principal da equipa azul e branca.
Permaneceu no FC Porto – nesta que seria a sua primeira passagem como técnico – três épocas consecutivas, onde nunca conquistou o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, mas venceu a Taça de Portugal na temporada de 1967/68, o seu primeiro titulo como treinador, derrotando na final da competição o Vitoria de Setúbal por 2-1.

Após passagens vitoriosas pelo V. de Setúbal e Boavista, Pedroto regressa ao FC Porto em 1976 tendo ganho a Taça de Portugal. Até 1980 Pedroto foi campeão pelo FC Porto (77/78 e 78/79). Posteriormente teve uma passagem pelo Vitória de Guimarães.

Já com Pinto da Costa como Presidente, Pedroto regressou ao FC Porto, tendo vencido uma Taça de Portugal e sido finalista da Taça das Taças.

Pedroto e Pinto da Costa criaram as bases para a série de grandes êxitos que se seguíram e que culminaram com a vitória na Taça dos Campeões Europeus. Ao "leme" estava o seu discípulo Artur Jorge, um dos dois treinadores portugueses campeões europeus de clubes, a par de José Mourinho, em 2003/04, também ao serviço do FC Porto.


José Maria Pedroto, foi Presidente do extinto SIMBOL, tendo sindo um dos grandes impulsionadores na extinção dos dois sindicatos SIMBOL e SNTF, que estiveram na génese da criação da Associação Nacional dos Treinadores de Futebol, tendo-lhe sido atribuído o Grau de Membro Honorário, a título póstumo, aquando da realização do I Congresso Nacional da Associação Nacional dos Treinadores de Futebol.


José Maria Carvalho Pedroto acabou por falecer na manhã do dia 7 de Janeiro do ano de 1985, com 56 anos de idade, sucumbido à doença que o corroía imparavelmente. A título póstumo a 24 de Agosto de 1985 foi feito Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e a 9 de Junho de 1995 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Mérito.

 

 

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