Jornal Record 31 dezembro 2025
Atualmente, toda a gente reconhece que a função de treinador de futebol, especialmente na elite, acarreta situações deveras stressantes e complexas para as quais é exigida uma resposta eficaz. Repare-se que, no seu dia a dia, os treinadores têm uma infinidade de responsabilidades e desempenham múltiplas tarefas, em momentos distintos, como por exemplo, desenhar, preparar e operacionalizar as sessões de treino, selecionar as táticas e as estratégias para o jogo, solucionar problemas relacionados com o rendimento do jogador e da equipa, gerir conflitos internos, relacionar-se com o restante staff, relacionar-se com a comunicação social, relacionar-se com os adeptos, com o elenco diretivo e com os empresários, investidores entre outras.
Enfim, espera-se que o treinador, para além das competências técnico-táticas, domine as exigências e os fatores de constrangimento mais significativos inerentes à competição, autorregule as suas emoções, tome as melhores decisões e ainda sirva de referência e suporte emocional com especial relevância à sua equipa e aos seus jogadores e além disso, requer-se que nos momentos difíceis assuma a responsabilidade do resultado, especialmente no que respeita ao insucesso desportivo da equipa. Dito de outra forma, espera-se que o treinador seja um SUPER ser humano imune ao stress elevado da competição e do resultado, a sentimentos, a emoções e a pensamentos negativos e exige-se que a sua relação com a comunicação social, com os adeptos e com o elenco diretivo não tenham quaisquer efeitos em si próprio (bem-estar pessoal), nem na forma como regula a sua ação, a sua liderança e a sua interação com aqueles com quem trabalha (bem-estar profissional), nem tão pouco na sua relação com a sua família (bem-estar familiar) e com a comunidade envolvente (bem-estar social).
Porém, o suporte à sua liderança, ao seu bem-estar e à sua saúde mental (emoções, sentimentos, etc.), às suas decisões ou não existem ou na maioria dos casos são deficitários. Defendemos, portanto, ser imperioso criar condições, ferramentas e meios que ajudem o treinador a desempenhar a sua complexa tarefa com êxito e a lidar com as mais variadas situações que podem ocorrer durante a sua carreira. Neste sentido, o recurso a estratégias psicológicas de suporte para a sua ação, tornam-se de extrema relevância, não apenas para mitigar o impacto da frustração e do desânimo no momento da derrota, mas também para promover a sua valorização pessoal e profissional. Acreditamos que os treinadores ao terem este suporte psicológico, por parte de alguém especializado na área, serão capazes de tomar melhores decisões e de ter uma conduta mais deontológica e ética capaz de valorizar o jogo de futebol e aqueles com quem se interrelacionam, em especial, os seus jogadores e as suas equipas.

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