Jornal Record 29 janeiro 2026
Treinador de Futebol. Desafios e realidades do seculo XXI
Para mim o Futebol moderno transformou profundamente o papel do treinador. Já não bastava, orientar treinos, escolher um onze ou corrigir posicionamentos. Hoje, o treinador é gestor, comunicador, estratega e, muitas vezes, o rosto mais visível de um clube. Esta evolução trouxe qualidade ao jogo, mas também uma pressão quase insustentável.
A exigência atual é fantástica. Um treinador vive condicionado por resultados imediatos, por adeptos impacientes e por direções que trocam de projeto ao primeiro desaire. A estabilidade, tão necessária para contruir equipas competitivas, tornou-se um luxo raro. Muitos treinadores são avaliados mais pelo impacto mediático do que pela coerência do trabalho que desenvolvem.
Além disso, o futebol tornou-se um produto global. As conferências de imprensa são analisadas ao detalhe, as redes sociais amplificam qualquer frase e a imagem pública pesa quase tanto quanto o desempenho tático. Treinadores que dominam a narrativa sobrevivem mais facilmente do que aqueles que apenas dominam o treino.
No entanto, é inegável que a evolução técnica e científica do futebol elevou o nível dos profissionais. Hoje, os treinadores estudam obsessivamente o jogo, utilizam tecnologia avançada, afasta o treinador da essência: comunicar de forma simples, motivar e criar um ambiente onde os jogadores possam render.
O futebol precisa de treinadores competentes, mas também de tempo, paciência e visão. Enquanto a indústria continuar a tratar o treinador como descartável, continuara a destruir os projetos antes de florescerem. O desafio dos dias de hoje é equilibrar ciência e humanidade, estratégia e liderança, modernidade e autenticidade. Só assim o treinador poderá voltar a ser mais do que um alvo fácil: será, novamente, o verdadeiro arquiteto do jogo.

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