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Jornal Record 30 julho 2026

Mundial Feminino e Mundial Masculino: a comparação que exige contexto

Concluído o Campeonato do Mundo Masculino, cumpre-nos analisar, com serenidade e sentido crítico, uma comparação que surge de forma recorrente no universo do futebol: a relação entre o Mundial Masculino e o Mundial Feminino. Mais do que identificar diferenças, importa compreender as razões que as explicam e reconhecer a evolução que o futebol feminino tem vindo a protagonizar nas últimas décadas.

Sempre que se disputa um Campeonato do Mundo Feminino, regressa o inevitável debate: faz sentido compará-lo ao Mundial Masculino? A resposta é sim, desde que essa comparação seja feita com contexto e rigor.

O futebol masculino teve quase um século para crescer, consolidar-se e transformar-se na maior indústria desportiva do mundo. O futebol feminino, pelo contrário, iniciou o seu percurso internacional apenas em 1991, depois de décadas marcadas por falta de investimento, escassa visibilidade e, em alguns países, até por restrições à sua prática.

Ainda assim, a evolução do Mundial Feminino tem sido notável. A qualidade do jogo, a preparação das seleções, a competitividade entre países e o interesse do público aumentam de edição para edição. O que antes era encarado como uma competição emergente é hoje um dos principais eventos do calendário desportivo internacional.

É verdade que persistem diferenças significativas em receitas, prémios e cobertura mediática. Mas esses indicadores refletem, sobretudo, trajetórias históricas distintas e não uma diferença de mérito ou dedicação entre atletas.

Comparar números sem considerar o contexto é ignorar décadas de desenvolvimento desigual. O crescimento do futebol feminino não deve ser visto como uma ameaça ao masculino, mas como um sinal de maturidade do próprio futebol. Quanto maior for a base de praticantes, de adeptos e de oportunidades, mais forte será o desporto como um todo. 

Talvez esteja na altura de abandonar a lógica da comparação permanente e começar a avaliar cada competição pelo que realmente oferece. O Campeonato do Mundo Feminino já não precisa de viver à sombra do masculino. Tem identidade própria, qualidade crescente e um impacto cada vez mais relevante no panorama mundial do futebol.



Alfredina Silva
Vice-Presidente da ANTF