Correr, Manipular ou Jogar
Terminou o Campeonato do Mundo e nós treinadores aproveitamos para reflectir sobre o que foi determinante para se superar a concorrência e vencer. Apesar da obsessão pelo correr e saltar, que parece instalada como umaepidemia o que sobressaiu foi a capacidade de jogar com a bola, intencionalmente.
Além disto o que também sobressaiu foi a relação emocional do treinador com os seus jogadores, fazendo com que eles acreditassem nas suas qualidades e jogassem o jogo da equipa com a qualidade individual que os caracteriza. Entregar o jogo aos jogadores, libertando-os para que possam em cada momento decidir o melhor para a equipa, contrapondo aqueles treinadores que são obcecados pelo controle de tudo o que se passa no jogo e que entopem os jogadores de informação, castrando-os e muitas vezes limitando as possibilidades da sua equipa.
Passam mais tempo preocupados com as qualidades dos adversários do que com as possibilidades da sua equipa e com a valorização dos seus jogadores. Sempre que os jogadores jogam alinhados com uma ideia, potenciam as suas qualidades e promovem o desempenho da equipa. Em alguns jogos, os melhores jogadores podem decidir (Portugal, França…), por si só, o resultado final, mas numa competição só a equipa pode ambicionar ser campeã.
O Futebol (o verdadeiro) agradece à Espanha por ter sido Campeã Mundial.
Rui Quinta
Vice-Presidente da ANTF