O tempo invisível dos treinadores
Há uma parte da vida de um treinador de que quase nunca se fala. Não tem conferências de imprensa, não ocupa manchetes nem gera debates televisivos. É um tempo silencioso, longe dos relvados, mas nem por isso menos importante.
A carreira de um treinador é feita de projetos. Entre o fim de um e o início de outro existe um período que muitos confundem com uma pausa. Na realidade, pode ser um tempo de crescimento. Os períodos entre projetos fazem parte da realidade da profissão. E aquilo que, visto de fora, pode parecer apenas um tempo de espera, pode transformar-se num espaço importante de aprendizagem, reflexão e preparação.
Estar entre projetos não significa deixar de ser treinador. É o momento de observar o jogo sem a urgência do próximo domingo. De estudar novas metodologias, visitar outras realidades, investir na formação, ouvir quem pensa diferente e questionar convicções. É também no silêncio que muitos treinadores continuam a preparar o futuro.
Vivemos num futebol onde se fala muito dos que chegam e dos que saem. Pouco se fala daqueles que, longe dos holofotes, continuam diariamente a aprender, a evoluir e a preparar o próximo desafio.
Este é o tempo invisível dos treinadores. Um tempo que não aparece nas classificações nem nas estatísticas, mas que pode fazer a diferença quando chega um novo projeto.
Porque os projetos começam e terminam. A profissão continua. Entre projetos, continua-se a ser treinador.
Tarantini
Vice-Presidente da ANTF