A dança dos treinadores
Ainda o campeonato não atingiu a nona jornada e já sete treinadores saíram do comando técnico das respectivas equipas na primeira liga. No plano das oportunidades acaba por ser bom para aqueles treinadores que não estavam a trabalhar e vão ser escolhidos, para as vagas, entretanto abertas.
Apesar dos contextos serem diferentes, há decisões que merecem alguma reflexão pela forma como acontecem. Se alguns saem por reflexo das reacções a resultados menos conseguidos, outros saem por quererem escolher os jogadores, outros por decisões já atempadamente acauteladas e ainda outros porque foram cobiçados para desafios mais aliciantes.
Claro que é sempre uma oportunidade para quem entra, mas o que devemos reflectir é sobre as razões que levam a estas tomadas de decisão depois do tempo que os responsáveis tiveram para escolher o perfil de treinador adequado às ambições da equipa e à qualidade do plantel. Quando o trabalho envolve pessoas e rendimento é sempre passível de ser interpretado da forma que se pretende, em determinado momento, ou por convicção, ou por impulso, ou por influência ou, até, por ameaça.
Há que reflectir se é apenas responsabilidade do treinador ou de quem o escolheu e não lhe proporcionou a estabilidade suficiente para que o trabalho resultasse (ou então foi um engano inadmissível, pois, nos tempos que correm, e com a informação que têm à disposição, um engano destes não leva os dirigentes a serem chicoteados).
Rui Quinta
Vice-Presidente da ANTF