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ANTF

Jornal Record 29 outubro 2026

Treinadores e dirigentes: quem está realmente disposto a adaptar-se?

O futebol português voltou a assistir a sucessivas mudanças de treinadores, algumas quando a época ainda mal começou. Uma realidade que nos convida a refletir não apenas sobre os resultados, mas também sobre a responsabilidade de quem treina e de quem dirige. 

Ter uma identidade de jogo é fundamental. Mas existe uma diferença entre defender convicções e ficar prisioneiro delas. O treinador deve saber interpretar o contexto, potenciar os jogadores e ajustar as suas ideias quando as soluções deixam de produzir os efeitos desejados. Adaptar não significa abdicar de princípios, mas encontrar novos caminhos para os concretizar.

Contudo, esta capacidade de adaptação não pode ser exigida apenas ao treinador. Também os clubes devem saber analisar, questionar e corrigir. Avaliar um projeto implica perceber se existe evolução, se os jogadores estão a crescer e se o trabalho desenvolvido corresponde aos objetivos definidos.

Naturalmente, no futebol profissional, os resultados serão sempre determinantes. Mas devem ser o pano de fundo de uma avaliação mais abrangente, não o seu único critério.

Se exigimos aos treinadores competência para reconhecer erros e encontrar soluções, devemos exigir aos dirigentes a mesma capacidade de reflexão.

Porque mudar de treinador pode ser necessário. Mas compreender porque se muda, e o que realmente precisa de mudar, é uma responsabilidade que não pode ser ignorada.



Tarantini
Vice-Presidente da ANTF