
PORTO, 21 DE OUTUBRO DE 2026 – A Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) manifesta a sua preocupação e lamenta a sucessão de mudanças nos comandos técnicos dos clubes da Ligas nacionais. Ao fim de apenas oito jornadas, a saída de dez treinadores nos dois principais campeonatos nacionais constitui um sinal de instabilidade que merece uma reflexão séria por parte de todos os agentes do futebol português.
Sem colocar em causa a autonomia dos clubes, a ANTF considera que a mudança de treinador não pode continuar a ser encarada como a resposta imediata aos resultados menos positivos. A construção de equipas competitivas exige tempo, planeamento, confiança e continuidade, condições essenciais para consolidar métodos de trabalho e desenvolver projetos desportivos sustentados.
A exigência competitiva é indissociável do futebol profissional, mas a avaliação do desempenho não pode limitar-se aos resultados imediatos, ignorando o contexto, os recursos disponíveis e as decisões estratégicas das estruturas diretivas. A responsabilidade deve ser analisada de forma global, evitando que o treinador seja, sistematicamente, o primeiro e único alvo perante as dificuldades.
A ANTF defende, por isso, uma cultura de maior estabilidade, rigor e responsabilidade na gestão desportiva. Estabilidade não significa permanência a qualquer custo; significa decisões ponderadas, projetos coerentes e condições para que o trabalho desenvolvido possa ser devidamente avaliado.
A Associação reafirma o seu compromisso com a valorização e a dignificação da profissão de treinador e apela aos clubes para que privilegiem o planeamento e a continuidade, em detrimento de decisões precipitadas.
O futebol português precisa de exigência e ambição, mas também de estabilidade e visão de futuro. É esse o caminho que a ANTF defende.