
Henrique Calisto, presidente da ANTF, defendeu o papel determinante da Associação Nacional dos Treinadores de Futebol na evolução da profissão, considerando que a aposta contínua na formação foi decisiva para afirmar Portugal como uma referência mundial no treino.
Em entrevista ao podcast Jogo de Palavra, de Rui Miguel Tovar, na Rádio Renascença, o presidente da ANTF recordou a criação da Associação, em 1985, e sublinhou o impacto que teve na qualificação dos treinadores portugueses.
"A partir de 1985, com a Associação Nacional de Treinadores, houve uma aposta muito substantiva na formação dos treinadores. Penso que aí está a base do sucesso dos nossos treinadores", afirmou, lembrando que a implementação de um percurso formativo estruturado e a aproximação às universidades permitiram consolidar "uma base sólida" para o treinador português.
Para Henrique Calisto, esse percurso explica o atual reconhecimento internacional dos técnicos nacionais. "Aprendemos muito com a história. Hoje a nossa formação olha demasiado para o amanhã e esquece aquilo que fomos e o percurso que fizemos para hoje sermos dos melhores do mundo", defendeu.
Ao mesmo tempo, deixou uma reflexão sobre a evolução da profissão, considerando que o treinador moderno perdeu parte da sua dimensão social. "Os treinadores ficam mais técnicos do que treinadores. Dominam as técnicas do treino, conhecem o jogo e ficam por aí. Os grandes treinadores tinham também uma intervenção social, coisa que hoje praticamente não se vê."
O presidente da ANTF reforçou ainda que a aposta na qualificação continuará a ser uma prioridade da Associação. "Para nós, a formação é cada vez mais importante e queremos que seja o mais descentralizada possível. Quanto mais treinadores com UEFA Pro tivermos, mais treinadores portugueses teremos no estrangeiro", sublinhou a finalizar.